A pandemia da COVID-19 causou estragos na economia global. Com a queda das ações e o aumento do desemprego, este é um momento difícil para traders e investidores em qualquer classe de ativos. O mercado de criptomoedas não ficou imune a essa dinâmica, com a queda dos preços e a dificuldade dos projetos em captar recursos.
Vamos analisar o que aconteceu com o mercado de criptomoedas durante a COVID e como o Bitcoin e o coronavírus podem ter afetado seu portfólio.
Voo para a Segurança
Nos últimos meses, os investidores têm vendido ativos de risco em favor de ativos considerados seguros, e o mercado de criptomoedas não ficou imune a essas quedas. O preço do Bitcoin despencou de mais de US$ 9,000 em 7 de março para quase US$ 4,000 em 13 de março, antes de se estabilizar entre US$ 6,000 e US$ 7,000 no final do mês.
A falta de apetite por ativos de risco não se limita a traders e investidores do mercado de ações. Embora as ofertas iniciais de moedas (ICOs) já estivessem em declínio há algum tempo, a crise da COVID-19 praticamente as paralisou. Os investidores de capital de risco também reduziram seus investimentos em startups, incluindo muitos projetos de criptomoedas.
O único ponto positivo tem sido as stablecoins, que são lastreadas em moeda fiduciária ou outros ativos não criptográficos. Por exemplo, a força do dólar americano levou a uma forte demanda por USD Coin e outras stablecoins lastreadas em dólar. Muitos investidores estão recorrendo a essas moedas como fonte de estabilidade e liquidez em tempos de volatilidade.
Perdas com criptomoedas e a temporada de impostos
Muitos investidores em criptomoedas sofreram perdas significativas desde o início da pandemia de COVID-19 — se você é um deles, não deixe essas perdas se perderem! O aproveitamento de perdas fiscais é uma estratégia que permite realizar prejuízos em posições em criptomoedas e usá-los para compensar outros ganhos de capital ou até mesmo parte da sua renda regular.
Diferentemente das ações, os investidores em criptomoedas podem não precisar se preocupar com a regra de venda fictícia (Wash Sale Rule), que impede a recompra dos mesmos ativos dentro de um determinado período após a venda. É possível vender e substituir imediatamente os criptoativos para compensar a perda no período fiscal vigente, sem penalidades, o que ajuda a abater ganhos de capital ou outros rendimentos.

Zen Ledger Simplifica esse processo analisando automaticamente suas posições em criptomoedas em busca de oportunidades de aproveitamento de perdas fiscais. Após o upload de suas transações, a plataforma cria uma planilha do Google que se abre em uma nova aba do navegador, com as perdas potenciais a serem aproveitadas, organizadas pelos métodos contábeis FIFO e LIFO.
Embora o prazo para a declaração de impostos tenha sido prorrogado para 15 de julho de 2020, os investidores e negociadores de criptomoedas devem garantir que estão registrando suas transações corretamente desde já. A Receita Federal (IRS) ainda aplicará multas e penalidades àqueles que não declararem seus ganhos com criptomoedas em 2019, e é importante manter tudo organizado para evitar problemas.
Oportunidades Emergentes
A crise da COVID-19 provocou uma busca por ativos seguros, o que pressionou os preços das criptomoedas para baixo. Assim como nos mercados de ações, alguns investidores estão aproveitando a queda para fortalecer suas posições de longo prazo com um custo médio menor. Comprar a preços mais baixos pode ajudar a reduzir o custo médio de aquisição de suas carteiras e, potencialmente, aumentar os lucros a longo prazo.
Há também quem argumente que a crise da COVID-19 pode impulsionar a demanda por criptomoedas em países em desenvolvimento. A hiperinflação tem sido um fator conhecido para a adoção de criptomoedas, já que os consumidores buscam maneiras fáceis de proteger seu capital. Além disso, comprar e armazenar muitas criptomoedas é mais fácil do que comprar ouro ou dólares americanos.
Nos EUA, o pacote de ajuda econômica de US$ 2 trilhões do governo também reforçou o argumento a favor das criptomoedas. Muitas criptomoedas, como o Bitcoin, podem não sofrer com a inflação da mesma forma que as moedas fiduciárias, já que sua oferta é finita, o que poderia torná-las uma reserva de valor atraente em um ambiente inflacionário.
Golpistas recorrem às criptomoedas.
Não é segredo que os golpistas têm recorrido às criptomoedas como forma de receber pagamentos mais difíceis de rastrear. Infelizmente, golpistas inescrupulosos têm se aproveitado da crise da COVID-19 para lançar diversos golpes, desde o roubo de doações até a exigência de resgates. Qualquer pessoa envolvida com criptomoedas deve ficar atenta a esses golpes.
Os golpistas mais insidiosos se fizeram passar pelo Fundo de Resposta Solidária à COVID-19 da OMS para roubar "doações" em criptomoedas. Eles enviam e-mails que parecem ser da Organização Mundial da Saúde (OMS) solicitando doações em Bitcoin. Para os interessados, o link verdadeiro é http://www.covid19responsefund.org.
Os golpistas se fazem passar por @QUEM O Fundo de Resposta Solidária à COVID-19 está em constante evolução. As primeiras amostras foram recebidas em 16 de março e a versão de 18 de março já foi aprimorada. Doe para o fundo oficial aqui:
Fundo de Resposta de Solidariedade COVID-19
— Chester Wisniewski (@chetwisniewski) 19 de março de 2020
Outros golpistas criaram um aplicativo falso de COVID-19 para dispositivos Android — e potencialmente outros — que finge ajudar a rastrear a disseminação do vírus pelo mundo. Na realidade, é um ransomware que exige o pagamento de US$ 100 em Bitcoin em troca de uma senha para desbloquear o dispositivo.
Concluindo!
A crise da COVID-19 impactou negativamente quase todos os ativos de risco, incluindo o mercado de criptomoedas. Além da queda nos preços, muitos projetos de criptomoedas podem enfrentar dificuldades para captar recursos por meio de ICOs ou rodadas de investimento. Golpistas também estão se aproveitando da situação para aplicar golpes.
Apesar dessas tendências negativas, existe uma oportunidade para os traders e investidores de criptomoedas recuperarem suas perdas e reduzirem seus custos de longo prazo no cenário atual. A combinação de uma demanda potencialmente maior em países em desenvolvimento e o montante exorbitante da nova dívida dos EUA pode acelerar a adoção.